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Explicações

É, tô sem saco pra poesia.

Não é questão de falta de inspiração não. Se eu quiser eu sento e em uns cinco minutinhos sai uma poesia sobre qualque assunto que eu quiser. O problema é que faz muito tempo que a vida não anda merecendo poesias de minha parte...

A vida ultimamente tá parecendo uma dessas crônicas mal-escritas que deixam publicar no Jornal do Brasil. E ainda por cima o James Brown morre.

Sabe, a vida exige sempre de você um pouco de falta de juízo, um pouco de sadismo e de auto-compreensão. Não dá pra ser espectador da própria existência...

Porém, obviamente, quase ninguém consegue ser protagonista. As peças em cartaz são poucas e os mocinhos acabam sempre morrendo no final se o filme foi bom. Ressurreições são raras e acabam com seu sossego. Imagina como deve ter sido a vida do Lázaro depois que Jesus ressuscitou ele...

Mas se eu pudesse escolher, ah, eu seria John Wayne. O problema é que na maior parte do tempo eu preciso fingir ser Bruce Wayne, escondendo meus morcegos no armário. Bruce Wayne é a identidade secreta do Batman e não o contrário. Só sendo Batman o Bruce consegue ser quem realmente é. No fundo, o único que sabe disso é o Alfred...

Vivo cercado por uma série de Curingas. Se eu fosse o John Wayne ia me divertir atirando neles e sempre sobrevivendo pra fazer o mesmo papel no próximo filme: redentor...

Ou alguém duvida que, nesse mundo conturbado, ser quem se é hoje em dia é, em suma, uma grande redenção? E os poucos que optam pelo teatro, caricaturando a vida e monologando seus sonhos, são obrigados a se esconder: sua arte nunca chegará ao grande público...

E então, para o ser humano normal, resta a sátira de existir. E esta sátira fica ainda mais clara quando se pensa que o grande sonho, o objeto de desejo, é uma vida de contos de fadas, permeada com uns salpicos de realidade mórbida em cada sinal de trânsito. Realidade suja e feia de que o público se entope nos Reality shows.

Muitos vivem a vida pela metade e os poucos, como eu, que resolvem tomá-la de rédeas e bebê-la pelo gargalo perdem seu tempo tendo de se explicar de seus feitos fantasiosos e suas dúvidas existenciais...

Resumindo, o espírito de Natal está morto. Por isso, qualquer coisa que eu disser nesse sentido hoje soará falsa e artificial justamente porque não é possível conciliar caridade com falsidade. E, francamente, as coisas que vejo sobre o Natal tem soado cada vez menos sinceras...

E isso é uma consequência direta de todas as coisas que disse acima.

É isso

belo texto.
ponto final.

beijo

che cosa nostra !

enfim, eu concordo. antes, essa coisa de espírito do natal era uma coisa que ia sumindo gradativamente conforme crescíamos. (nao que eu seja adulta o suficiente pra falar sobre ser adulta) hoje, as crianças já nascem praticamente pensando no saco do papai noel, que é um saco. e ainda assim, se reunem em torno da mesa farta, pra cear, rezando uma oração sem qualquer sentido pessoal.

e além de tudo, o James Brown morre.
ô fase.

Estou com problemas pra comentar aqui, mas eu sou mais forte que o Blogger.

Lê o meu texto que coloquei no blog caçula e vê se continua achando que o espírito de Natal morreu.

http://coisasdemanauara.wordpress.com

Só queria saber o motivo...

Mamy te ama, tá...

Antes eu achava que o Natal tinha graça, agora...

Bjos pra tu!

Particularmente, acredito que a poesia (ou qualquer forma de arte) tem como uma de suas atribuições, aliviar as dores do próprio poeta (ou de qualquer outro artista). Assim, rapaz, por que parar de escrever agora que está vendo a vida desse jeito? Pode até ser uma fase de seus melhores produtos.

Poesia não tem que dizer só de flores e de amores. Poesia pode dizer lindamente sobre aquilo que é feio e triste.

Repense sua decisão.

Beijos.

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