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Diário de Bordo I - Rodoferroviária

Quando eu saí de casa e peguei o ônibus pra rodoferroviária eu não sabia muito bem o quê eu estava fazendo. Eu sabia que tinha de ir ao Rio pra fazer uma prova para admissão no mestrado mas não sabia bem o que eu ia fazer por ali durante uma hora, até que o ônibus passasse. E fiquei observando aquela rodoviária monumental, um grande elefante branco que estava prestes a morrer..

A Rodoviária do Plano Piloto (a mais famosa de Brasília) foi a primeira a ser inaugurada, muitos meses antes da cidade. Na verdade, o primeiro prédio concluído em Brasília foi a Rodoviária, onde chegavam milhares de trabalhadores para construir a cidade. Foi de lá que João de Santo Cristo viu as luzes de Natal...

Porém a Rodoviária do Plano Piloto acabou ficando pequena quando a cidade cresceu e foi preciso construir outra. E pediram pro Niemeyer construir essa aí da foto. Feia, né? Isso q vcs não viram por dentro...

O projeto era magnífico, os ônibus interestaduais pegariam as pessoas no subsolo, os trens no térreo e perto dali foi criado um grande setor de abastecimento para que os trens que levavam as pessoas pudessem levar e trazer carga de todo o país. No primeiro andar criaram um monte de lojas e um teto fantástico, feito de metal e que brilha, uma das obras primas do grande Atos Bulcão.

Os acessos eram por escadas rolantes e elevadores e havia uma série de relógios feitos especialmente para a estação. Era naquele lugar que as pesssoas chegavam e se iam, anos a fio.

O problema é que Niemeyer não pensou num detalhe importante: ônibus faz fumaça, logo não pode ficar no subsolo. Outro detalhe, ninguém anda de trem se tem ônibus, certo? Puzé, investiram milhões num projeto que fracassou desde o início...

E o projeto magnífico virou uma sombra cinzenta no horizonte, uma sombra triste e melancólica.

Foi o que senti quando vi aquela rodoferroviária: Melancolia. O concreto é triste, mas ver o estado em que ela estava me deixou emocionado. Tudo tão sujo, tão abandonado.

Passei a mão pelo mogno maciço dos corrrimões, subi ao primeiro andar pra ver o teto de Bulcão, em estado deplorável. Os banheiros destruídos e o acesso ao subsolo (uma obra prima do modernismo na arquitetura) estava para sempre fechada por grandes portões de ferro.

No andar de cima, em uma das lojas de vidro fechadas, um casal fazia sexo olhando para a cidade. Saí dali depressa para não incomodá-los e fiquei ali olhando para aquele prédio vazio e triste.

Quantos casais se encontraram ali? Quantas pessoas se viram nessa estação pela última vez? Quantas saudades pulsavam naquele prédio? Eu me lembrava da última vez que estive ali. Foi num Reveillon, há muitos anos, quando fui visitar minha avó...

Eu era tão jovem e aquele dia tão feliz...

E foi com melancolia que deixei aquela estação. Mais ainda porque não tinha ninguém pra me desejar boa viagem. Eu fui sozinho para o Rio de Janeiro. Uma solidão só menor do que a dor de uma Rodoferroviária morta aos poucos...

Éramos irmãos, eu e ela, de alguma maneira. Eu a entendia. Meu coração foi de concreto, por alguns instantes. E senti, bem no fundo aquela rodoviária me dando boa viagem. Eu agradeci e fui embora, morrendo de saudades dela...

Que texto linnndo! Eu sei bem do que você falou... É isso!

Beijinhos...
:)

Eu lembro dessa rodoviária. Pena que ñ deu pra conhecer, mesmo estando abandonada.
Espero que tudo tenha dado certo no Rio.
Bjo!

Poxa... é horrível pegar um ônibus pra tão longe sem ninguém pra nos desejar "boa viagem"... ô, meu mininu... Mamy te ama, tá!

feia é apelido.
Até hj sou traumatizada com a Rodoferroviária de Brasília.
Aliás, até hj ainda espero mais da cidade planejada e capital do Brasil.
Blergh.

Que lindo!!!
Deu pra sentir a melancolia...
Putz!

Beijos

Gostaria de ter sentado ao teu lado nessa viagem.
Beijos

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