lunedì, ottobre 30, 2006

A Faca que Matou José Augusto

A faca que matou José Augusto
Ainda continua ensangüentada
Pingando sangue vermelho e escuro
E a maioria finge não ver nada

A faca que matou José Augusto
Ainda vem matando tantos outros
E fica martelando na memória
E fica nos tornando como loucos

Mas embora insista em ser faca
Que do sangue do outro não veio
Das esquinas se fala a palavras
Sustentada no meio do seio

E para insistir em ser faca
Palavra rasgando o centeio
Pois do outro lado da saca
Ficou o som do rodeio

Das palavras soltadas no tempo
Se ficou o gemido do cão
Que corou-se no fino da noite
Perguntando se sim ou se não

Vou te amar setecentas mil vezes
Te beijar por seiscentas mil horas
E quando soprares meus versos
Ouvirás as medidas das trovas

E do outro gume da faca
Que e faca que o outro não veio
Pois metade que era da tábua
Agora és dobro e meio

Das rudezas que escrevo com o verso
Se será o fim ou se não
Que da faca de sangue do padre
Poderá se ouvir a canção

E de quando mil anos terrestres
Se tornarem mil vasos de luz
Nas sarjetas dos tempos vindouros
Nascerá um novo Jesus

Que da faca nascido errante
Ressuscito do sangue de Augusto
Indeciso nas suas imagens
Coroado do sangue do irmão

E quebre-se o cetro do Papa
E viva o reino dos filhos
Que sedentos do sangue materno
Sugam as tetas do mundo perdido

Que da faca atravessa o peito
De outro modo não parará
Pois me fazes de meio o dobro
E me ensinas a te ensinar

A esquecer das dores do parto
De um filho que não pretendia
A roçar seus lábios às noites
Desejando o sopro do dia

Pra beijar-te, mais uma brandura
Correndo o risco do pão
Vicejando na paz do esquecido
Que nunca fui no sertão

Pois do outro lado da faca
Ficou o cabo do cetro
E dos olhos vidrados de César
José renasceu como um feto

Desmamado da mãe para sempre
Pras formigas da terra é chão
E que dizes nas terras de Jó
Esquecer de que houve perdão

E dos outros gumes da faca
Parará no melhor do menino
Que lambendo o sangue do cabo
Cortou-se e ficou-se ladino

Pois da morte que se mostra inglória
Nascerá o grande pendão
Mudando o curso da história
De Augustos, Josés e João...

Pois Augusto, primeiro de muitos
A morrer na lida do fraco
Beijando a cruz do bandido
Seu nome ficar para o lado...

domenica, ottobre 29, 2006

Stravinsky...




Quando as notas se mutilam
E se somam, assombrando
A iluminação renovada,
Vejo os pardais de outra forma
Voando em ré e fá
Na noite, como morcegos
Guinchando pelos ares...

venerdì, ottobre 27, 2006

Embolada



Carcará
Condição
Colherá
Condução
Cambará
Construção
Correrá
Contramão
Constará
Coração
Choverá
Colisão
Chutará
Confusão
Cercará
Cinturão
Chupará
Carcarão...

giovedì, ottobre 26, 2006

Sim, vcs não podem perder

A orgia universal no Morango com Gengibre...

mercoledì, ottobre 25, 2006

Verdade




Se for morrer
Que seja pra morrer de Amor
Se for chorar
Arranca do peio o clarão
Se for viver
Que seja pra viver somente
A bala que fura o dente
E esconde o som do coração

Se for chupar
Que chupe até o caroço
Se for lembrar
Se lembre do brilho do Santo
Se for o véu
Que seja da vagem semente
Enterrada no sonho da gente
Daquele que é dele e meu

Samaritano, Jacinto Noturno, Urbano
Pedaço e regaço de féu
Intermitente, coluna do corpo, corrente
Secando o sague de Zeus

martedì, ottobre 24, 2006

Triste...




Sempre que chover lembrarei de você
Nas curvas frias da minha vida
A suavidade dos suspiros divididos
No sonho estelar que não foi concreto...


Será que então, no fim
Onde os olhos se emaranham abandonados
Voltará a brilhar um sol tênue
Antes que voltem os ventos do crepúsculo?


Não, não virá o sol
Nem o beijo
Nem o toque suavizador
Nem as ilusões...
Ficará apenas a solidão
Eterna companheira libertadora
Vulgar prostituta com quem me deito às noites


Ficará ela a me desposar
Junto às minhas outras decepções passadas
Sempre me cobrando seu tributo, sua paga
As mãos que me guiam para um trágico
Espetáculo final e insolente
O Sangue vertido em lágrimas potencializadas
O Beijo esquecido nas lembranças escondidas
O Orgasmo contido em mais um avassalamento passageiro

lunedì, ottobre 23, 2006

Mão

Vidas seguem rumos,
Plásticas novidades
Nas asas de viagens
De novos Gulivers

Mãos fechadas envoltas em pele
Disfarçam os véus de olhares impetuosos
Flamejantes, em busca de outros
Outros intrépidos incestos
Outros áses de ouros
Escondidos nas mangas do tempo

Desejo ardente de mulher
Que se confunde com o frio do granito
Esquecido na cozinha
Antes da satisfação permanente
Luxúria

giovedì, ottobre 19, 2006

Caldas


Caldas
Quentes
Envolvendo o corpo
E o coração,
Tomando tudo
Com seu cheiro,
Seu suor
Seu sarro
De mulher madura.

Professora e aluna
De mim

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Sim, eu vou ali, depois ali e já volto. Comam bem seu lanchinho e não se esqueçam de lavar bem atrás das orelhas...

E leiam o Morango, por favor...

Até

mercoledì, ottobre 18, 2006

Cheiros

A noite se enche de anjos solitários
Sob a cidade vazia de significado
No frio da vida, os amantes
...

Procuram-se em palavras
por caminhos distantes
Atraídos por rimas cortantes
Procuram-se em almas
estopins do close, retrato
Procuram-se em gozos e feições
Em falácias e mentiras
Em beijos cálidos e súplices
Em lençóis diversos
Em camas solitárias
Em noites serenas
Entre os campos elíseos
do quarto solitário e quente
Onde as coisas se mostram verossímeis
e impossíveis
As almas se fundem
e reencontro acontece
O infinito torna-se pouco
Em braços adormecem.
Anjos caídos de amor e saudades...
Noites em claro de eterna procura
Lábios dormentes de grande amargura
Gozo guardado eternizando a loucura

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Outro escrito a quatro mãos, outra noite fria e chuvosa. Outros cheiros divididos

Molotov

Tem História nova no Morango com Gengibre...

Pra quem curte um coquetel molotov...

Mas eu vou avisando logo que é quente...

Bem quente...

Pode queimar...

martedì, ottobre 17, 2006

Novidades

Não sei se é bom ou ruim...

Mas se alguém estiver interessado em saber da minha vida particular...

Eu

PASSEI NO CONCURSO PRA PROFESSOR DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO

Não sei se é bom ou ruim...

Veremos

lunedì, ottobre 16, 2006

Beatles

Fim
Nem sempre fica o som
Depois que pára o coração
E a dúvida vira insolência
Fantasia romântica
Pedaços de papel voando pelo ar

Tudo que fui se embala num disco inacabado
Perdido na noite dos sonhos
Trucidado entre as vagas de ondas.
E a saudade fica com a tristeza
Embalando os filhos de meus pesadelos



Surpresa...

domenica, ottobre 15, 2006

Musa em Azul 1


Azul
Monotônico azul bajulando o céu
Encobre a cidade com seu véu
de dúvidas e vertigens....
Produzindo sinfonias solitárias
Liquefazendo a existência
Se esbaldando num som solitário
De blues

Rola no ar
A nuvem doida que ultrapassa
de leve
A fumaça dos edifícios
E segue atônita
Por meus olhos
Transformando a cor da noite
Em mares de erotismo

Ela vem em metamorfoses e beijos
Sussurrada aos ventos
Semi-nua e incrédula
Quem é ela?
Quem sou eu?
Quem procuro?

Não sei ao certo
Mas sinto a mão incandescente
seus beijos...seu cheiro...seus peitos arfando sobre mim
delírio, embriagado pelo azul que despeja
que me beija
me deseja, me suga
da alma todo o brilho e serenidade
da vida toda a calma e lucidez
numa luz azul e infinita
Nefasta.
Me perco entre esse seu blues antigo e escuro.

Sou fera no reino dos homens
A esperar um milagre de Deus

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Escrito a quatro mãos numa madrugada tediosa ao som de Stravinsky e imaginando Blues. Espero que vocês consigam captar esse clima...

Abraços

sabato, ottobre 14, 2006

Tédio







A Vida se amarga
entupida na sala de estar
Fio da Navalha
se entrega se espalha no ar
Botes infláveis,
naufrágio no Paranoá
Flores e freios
família, favores, flutuar

giovedì, ottobre 12, 2006

Um Pequeno Poema pra Mamy




Fixo o verso
Finda o válido olhar
Na flauta augusta do amor materno
Faz a cor noturna
Faz a chama ardente
E vive a flor da imagem Santa
Na flauta augusta do amor materno

Línguas, brincos
Violoncelos
Flautas e tamborins
No nascimento do Semi-homem
Deseperado pela corrida
De uma vida inevitável
Na flauta augusta do amor materno



Escrito ao som de Stravinsk
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Não sei se vocês já notaram, mas eu sou um fã incondicional do Monet. Sempre pinta um quadro dele por aqui. Este se chama Jovem Mãe...

lunedì, ottobre 09, 2006

Pra dois Amantes

Sei que o beijo se renova
E entorpece o amor
Enriquece a alma
Finda no meio-termo
Entre a segurança e a glória


Sei que a saudade se intercepta,
Refigura, re-observa, trucida
Mas, ao mesmo tempo colabora
Pro gosto agradável do beijo teu


Sei que quando vejo-te
O mundo se mistura a outros mundos
A outras flores, universos
Que se fundem em nós
No amor e na constância


Livres, finalmente, para ver,
Tocar, sentir, observar de perto
Musos que se espelham
Flores que se descortinam
No mesmo vaso, por horas
Dias, semanas


Até que nos separemos na noite
das saudades

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Vocês merecem...

domenica, ottobre 08, 2006

Diário de Bordo I - Rodoferroviária

Quando eu saí de casa e peguei o ônibus pra rodoferroviária eu não sabia muito bem o quê eu estava fazendo. Eu sabia que tinha de ir ao Rio pra fazer uma prova para admissão no mestrado mas não sabia bem o que eu ia fazer por ali durante uma hora, até que o ônibus passasse. E fiquei observando aquela rodoviária monumental, um grande elefante branco que estava prestes a morrer..

A Rodoviária do Plano Piloto (a mais famosa de Brasília) foi a primeira a ser inaugurada, muitos meses antes da cidade. Na verdade, o primeiro prédio concluído em Brasília foi a Rodoviária, onde chegavam milhares de trabalhadores para construir a cidade. Foi de lá que João de Santo Cristo viu as luzes de Natal...

Porém a Rodoviária do Plano Piloto acabou ficando pequena quando a cidade cresceu e foi preciso construir outra. E pediram pro Niemeyer construir essa aí da foto. Feia, né? Isso q vcs não viram por dentro...

O projeto era magnífico, os ônibus interestaduais pegariam as pessoas no subsolo, os trens no térreo e perto dali foi criado um grande setor de abastecimento para que os trens que levavam as pessoas pudessem levar e trazer carga de todo o país. No primeiro andar criaram um monte de lojas e um teto fantástico, feito de metal e que brilha, uma das obras primas do grande Atos Bulcão.

Os acessos eram por escadas rolantes e elevadores e havia uma série de relógios feitos especialmente para a estação. Era naquele lugar que as pesssoas chegavam e se iam, anos a fio.

O problema é que Niemeyer não pensou num detalhe importante: ônibus faz fumaça, logo não pode ficar no subsolo. Outro detalhe, ninguém anda de trem se tem ônibus, certo? Puzé, investiram milhões num projeto que fracassou desde o início...

E o projeto magnífico virou uma sombra cinzenta no horizonte, uma sombra triste e melancólica.

Foi o que senti quando vi aquela rodoferroviária: Melancolia. O concreto é triste, mas ver o estado em que ela estava me deixou emocionado. Tudo tão sujo, tão abandonado.

Passei a mão pelo mogno maciço dos corrrimões, subi ao primeiro andar pra ver o teto de Bulcão, em estado deplorável. Os banheiros destruídos e o acesso ao subsolo (uma obra prima do modernismo na arquitetura) estava para sempre fechada por grandes portões de ferro.

No andar de cima, em uma das lojas de vidro fechadas, um casal fazia sexo olhando para a cidade. Saí dali depressa para não incomodá-los e fiquei ali olhando para aquele prédio vazio e triste.

Quantos casais se encontraram ali? Quantas pessoas se viram nessa estação pela última vez? Quantas saudades pulsavam naquele prédio? Eu me lembrava da última vez que estive ali. Foi num Reveillon, há muitos anos, quando fui visitar minha avó...

Eu era tão jovem e aquele dia tão feliz...

E foi com melancolia que deixei aquela estação. Mais ainda porque não tinha ninguém pra me desejar boa viagem. Eu fui sozinho para o Rio de Janeiro. Uma solidão só menor do que a dor de uma Rodoferroviária morta aos poucos...

Éramos irmãos, eu e ela, de alguma maneira. Eu a entendia. Meu coração foi de concreto, por alguns instantes. E senti, bem no fundo aquela rodoviária me dando boa viagem. Eu agradeci e fui embora, morrendo de saudades dela...

giovedì, ottobre 05, 2006

Bem...

Vou dar uma passadinha ali e já volto...

Juízo e se cuidem, tá?

martedì, ottobre 03, 2006

Cily

E ela sorri na fria página
Vê a vida, vê a lágrima
E serpenteia pelo ar

E ela corre, nuvem disforme
Dança na noite, vive o luar
E ela dança, ela encanta
Beija o livro, lança a flor
E disque, diz que vai chegar...

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Tava te devendo, muié, muitos milhões de bilhões de beijos pra ti. Eu omiti aquele detalhe, tá? rsrsrsrs....

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Pra quem tiver interesssado, tem história de um quarentão enxuto e sua amada esposa no Morango com Gengibre

domenica, ottobre 01, 2006

Luto...


Levantamento aponta 14 moradores de Brasília entre 71 passageiros


Carolina Caraballo e Gizella Rodrigues
do Correio Braziliense

01/10/2006
07h18
-A Gol ainda não divulgou a cidade onde cada um dos 155 passageiros do vôo 1907 moram. Mas, de acordo com a empresa, 71 pessoas desembarcariam em Brasília. Levantamento realizado pela equipe do Correio identificou 14 moradores da capital que estavam na relação geral fornecida pela Gol. Com a voz embargada pela angústia e a emoção, os familiares e amigos dos passageiros candangos traçaram o perfil das pessoas desaparecidas.


  • Décio Chaves Júnior, 44 anos. O comandante do vôo 1907 é casado, pai de um filho de 9 anos e mora no Sudoeste. Em 26 anos de carreira, Chaves acumulou 15 mil horas de vôo. Dessas, 4 mil horas foram como piloto. Ele trabalha na Gol desde outubro de 2001 e, segundo o vice-presidente técnico da empresa aérea, David Barioni Neto, Chaves tem “alto gabarito técnico”.


  • Mário Alves Malafaia, 69 anos. O engenheiro agrônomo mora no Park Way. Ele viaja a cada 15 dias para Manaus a serviço da empresa amazonense Ceasa.


  • Osman de Oliveira Melo, 50 anos. É chefe do Departamento de Manutenção, Operação e Transmissão de Rádio, da Radiobras. Trabalha no órgão desde 1981. Tinha viajado para trabalhar em Tabatinga, no estado do Amazonas, e voltava para Brasília. É casado e pai de dois filhos.


  • Francisco Alves de Oliveira, 48 anos. É funcionário da Divisão de Manutenção, Operação e Transmissão de Rádio, da Radiobras. Trabalha no órgão desde 1980. Conhecido como Chicão, ele é casado e tem três filhos.


  • Patrícia Moreira, 27anos. É consultora da Nokia e viaja a cada 15 dias para Manaus a trabalho. É casada há dois anos com Bernardo Moreira, 35 anos, servidor Tribunal de Contas da União (TCU), filho do ex-senador Lauro Campos.

  • Tiago dos Santos Eustáquio, 31 anos. É biomédico e tinha viajado a Manaus para montar um laboratório da empresa onde trabalha. Tiago é casado há cinco anos.


  • Rafael Meira Barreto, 29 anos. É formado em Ciência da Computação e está morando em Manaus para montar uma filial da empresa da família na cidade. Está noivo há uma semana.

  • Esdras Loureiro Luca, 40 anos. É coordenador de Relacionamento com o Mercado da Infraero. Ele trabalha há 22 anos na empresa. Esdras é solteiro e mora com um sobrinho no Sudoeste.

  • Juvêncio Gomes da Silva, 45 anos. O morador do Núcleo Bandeirante é tesoureiro-geral da Infraero e trabalha na empresa há 15 anos. Juvêncio é casado e tem dois filhos, um de 16 e outro de 18 anos. Ele estava em Manaus a serviço havia uma semana.

  • Gilson Azeredo, morador do Lago Norte. Ele é economista e trabalha no Ministério da Planejamento.

  • Júlio César Nascimento Mendes, Departamento de Licitações da Infraero. Ele é casado e tem um filho de 2 anos. Foi transferido recentemente para Brasília.

  • Andreas Kowalski, 40 anos. O antropólogo alemão é casado e estava na Amazônia fazendo pesquisa de campo.

  • Ângela Leite, pesquisadora da Embrapa. Ela viajava com o filho Mário Lleras e com o neto Daniel Lleras, 5 anos.


  • Marcelo Paixão Lopes, 29 anos. Solteiro, ele é gerente geral do HSBC em Brasília. Trabalha há sete anos na empresa. O rapaz mora com os pais no Setor O, em Ceilândia. E estava em Manaus a serviço do banco.

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    Este Blog permanecerá de Luto pelos próximos dias...