mercoledì, maggio 31, 2006

Flor


Mulher-Flor de lúcidas palavras
Cultura maravilhosa, cor gris
Versos sem métrica, fuligem mental
Explosão de idéias: pensamentos descoesos
Excentricidade, uniformidade, deteminância
Carência, substância: força imperial
Rainha dos sonhos noturnos e diurnos

Mulher-orquídea, suave e sensual
Mulher que dança no infinitésimo amoroso
Mulher: peito, ventre, lábios, ancas e cérebro
Mulher encantadora que enlouquece o poeta...

Ah! Como encontrar o parâmetro correto?
Curvas e comprimentos, circunferências e esferas
Parabolóides hiperbólicos, senóides e selenóides

Ah! Loucura viril que destrói o entendimento,
Desejo ardente de possuir o ósculo, o peito arfante
O sorriso malicioso da orquídea apaixonada

Mulher: impressão duradora e descontínua
Mulher: sussuro leve no ouvido destro,
Sentimentalidades, eloqüência, morte

Flor


P.S.: Agora que tu leu de riba pra baixo, que tal ler de baixo pra riba?

domenica, maggio 28, 2006

Sobre Ontem

De onde a razão livre da paixão?
Isomórfica, enlouquecida
Avassaladora, inconseqüente
Incompreensível em suas manias,
Toma dos homens seu nexo...

De onde a razão livre da paixão?
Embora levemente encantadora
Cálida, eloqüente, fantasia inocente
Beijo que se completa, sonho virtual
Mãos que se misturam: canibalismo.

Ósculo eficaz, corações elementares
Batidas irregulares: fogo em aguarraz
Beijo que beija e engorda
Beijo que suga, inflama e melhora
Paixão livre, razão poética
Repouso do apaixonado...

giovedì, maggio 25, 2006

Cimento


Cinza-pedra-brita-areia-água
Madeira-plaina-andaime-céu
Sol-chuva-vento-dia-lua
Cheiro-tinta-brisa-branco
Vidro-vidro-vitral-piso
Altar-confessionário-Cristo
Anjos-bancos-sudário
Santos-Amores-Brisa
Menina-Poeta-Brasília

martedì, maggio 23, 2006

Um novo momento

Mariane

Legião Urbana

Composição: Indisponível

I've been working all day
I've been thinking a lot
I've been doing some things
That are not quite right
I've been thinking about you
I've been thinking about you
When will you return?

I've been working all day
I've been thinking a lot
I've been lost in the morning
I don't know what it costs
Will you find me there?

And I guess it's just a phase
I don't know where I'm going
And I guess it's just a phase
I don't know where I'm going
And I guess it's just a phase
I don't know where I'm going
And I guess it's just a phase
I don't know where I'm going

I've been working all day
I've been thinking a lot
I've been lost in the morning
I don't know what it costs
I don't think about you
I will be able to do
Will you let me be?

And I don't know where I'm going
I guess it's just a phase
And I don't know where I'm going
I guess it's just a phase

And I don't know where I'm going
I guess it's just a phase
And I don't know where I'm going
I guess it's just a phase

Vocalização Ooo... Ooo..

sabato, maggio 20, 2006

Clarisse

Cópia do encarte do CD Uma outra estação, Legião Urbana

Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha
E Clarice está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer
Uma de suas amigas já se foi
Quando mais uma ocorrência policial
Ninguém entende, não me olhe assim
Com este semblante de bom samaritano
Cumprindo o seu dever, como se fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente
Nada existe prá mim, não tente
Você não sabe e não entende
E quando os anti-depressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarice sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar prá casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta de esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
E que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarice está trancada em seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir
E vou voar pelo caminho mais bonito
Clarice só tem 14 anos

(Renato Russo, Marcelo Bonfá, Dado Villa Lobos)

domenica, maggio 14, 2006

Mães

Escreve pois, pelas brisas macilentas e uivantes
De terras desterradas e abandonadas pelos homens
De almas chorosas e sedentas de frio e fome

Escreve pois, escreve. Escreve tua tentação
Escreve a marca ritual do velho homem
Ditando o Velho e recitando o amor ao pão...

Escreve a marca e descreve o trigo
Farofa a massa e amassa o rito
Semeia a fé e faz realidade lívida
Repica o verso e pare a terra sofrida!!!

Vai, caminha pelas terras nuas, imortais
Os peitos brancos mamados por animais
As injustiças paridas em barcos inauditos
Parindo o mundo e libertando bandidos...

(pra alguém especial, pra quem eu já postei há tempos...)

sabato, maggio 13, 2006

Mozart


Tudo é emoção e volúpia,
Celebração de paixão, amor
Sentimento que escorre dos acordes
Da voz cálida da soprano
Que fere os tímpanos
Em tons agudos e doces
Invadindo a câmara escura:
Fotografia dadaísta,
metamorfose romântica...

Ah, Momo e suas incredulidades
Insanidade telegráfica, platonismo
Solfejo vulgar, assobio
Arrepio que derrama o verso em flor
Flor que mira e desfaz:
Intensidade nas entrelinhas

Senador? Onde estás que és eterno?
Unis o céu e a terra num sorriso!
Unis o branco fel e o negrume etéreo!
A política indecifrável dos estadistas
O pus sanguinolento dos imperiais...

Escrita ouvindo Idomeneo

mercoledì, maggio 10, 2006

Pôr-do-Sol




E eu vejo os rubros-róseos da estrutural
O ônibus cheio corta as estradas cinzas
Fecha o ciclo, germina o cio
Embalsama o rotor da solidão

Sinto o vento seco, o ar pesado, pictórico
O cheiro de fumaça, de flores, polens
De perfumes doces de mulheres
Da imundície fria da infância

Eu vejo o fim que levará esta tarde
A noite luminescente: transporta o frio
O frio que começa: espanta a chuva
A chuva que finda: até setembro

sabato, maggio 06, 2006

Poeminhas

Bela

Quão bela pode ser a Bela?
Bela-flor que pousa na janela?
Quadro impressionista, traços de aquarela?
Verde, vermelho, cinza, arco multicor
Cores que se misturam, histórias loucas de amor
Balzac em escritos tórridos, canto do Peloponeso
Homero em alexandrinos, sonetos à beira mar...

Ah, é um mar que nos separa!
Um solitário devenir, uma epopéia!
De que vale o sofregar, se se está longe da janela?
De que vale ser feliz se não se sabe quão bela é ela?




Rosa

Rosa Mara, Rosa flor
Rosa botão, perdida de amor
Rosa cálida, Rosa rosa
Amarela, branca, prosa
Verso, poema, eu não sou
Rosa que se abre,
Mundo que respira
Rosa estonteante
Mundo na barriga
Rosa delicada
Impávido colosso
Rosa-mulher
Impecável pecadora

giovedì, maggio 04, 2006

Um Canto Triste


Cansei de chorar pelos erros dos outros
De esperar as rosas, quando so restam crisantemos
Roxos, azuis e tristes vagas indeleveis
Dores contidas, facas surdas que sangram
O pulso destro...

E vejo meu sangue que jorra docemente
Um tanto tacito, ou mesmo purulento
A sujar as nadegas nuas da amante
Ja putrefata, descansando eternamente
O sorriso morbido, labios em extase
Olhos abertos, a expressao da morte

E eu canto o canto triste, epitafio
A negritude aparece, catarata opaca
Acompanhada das lagrimas indiferentes
De versos escondidos entre as linguas
De coleras guardadas no peito desassossegado
De ejaculaçoes contidas e etereas

E eu canto o canto triste, docemente
O canto flor, o canto escarlatico
Gladio uniforme, impossibilidade
Opera solitaria, monologo ateu...