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Sobre Como o Poeta Matemático e o Anarquista se Reencontram Após 10 anos (parte II)

Para compreender essa parte da história, é preciso ler a primeira parte.



- Dez anos? – eu disse, um pouco surpreso – Ora, não era de se estranhar! Quase tudo mudou nesses dez anos...

- De todo modo, acho que você ainda não se lembra de mim.

Ele disse isso e parou, em frente à biblioteca, que pra mim parecia um grande templo japonês. Na verdade, isso tinha um sentido completamente metafísico que eu não podia compreender naquele momento. Só sei que olhei mais uma vez praquele grande prédio (que eu chamava carinhosamente de Templo de Euclides, não sei até hoje porquê...) e, nesse olhar, vi que mudava para sempre meu destino, naquele momento. Ora, aquele interessante personagem, que me conhecia, me intrigava estava ali para me fazer perceber alguma coisa muito importante.

- (censurado)! – disse isso cheio de entusiasmo - Esse é o seu nome, não é? Lembrei-me agora. Você lutava judô comigo, há muito tempo atrás, na academia do sansei (censurado). Ora, faz muitos anos mesmo! E o que você tem feito? Como sabe, eu estou estudando para ser matemático.

A conversa a partir daí tomou um tom jovial, de dois amigos que se reencontram.

- Bem, eu estudo aqui também, moro na CEU. Sou aluno de Relações Internacionais. De vez em quando te vejo ir para a aula de natação. Hoje em particular achei que seria um bom momento para conversarmos.

- Vamos entrar, acho que posso te pagar ao menos um pão de queijo, não?

- Não pode, eu faço questão de pagar...

- Então cada um paga o seu e ninguém fica chateado...

E assim conversamos amigavelmente, por mais de vinte minutos. Não eram assuntos importantes, urgentes ou sérios, eram apenas lembranças de dois velhos amigos que se reencontram. E como essas lembranças são sólidas para aqueles que as viveram! Ora, num dia completamente nebuloso para mim (eu detesto a universidade) eu tinha sido surpreendido por um interessante acontecimento. Na verdade, nossa amizade jamais tinha sido sólida e foi com surpresa que eu vi como estávamos nos dando bem.

Porém, algo me deixava com uma pulga atrás da orelha. Talvez fosse o tom dele, algum tipo de grande preocupação, ou a certeza que ele sabia mais do que dizia. Então, minha amabilidade inicial foi substituída por uma irritação profunda, que tomou conta de mim. Foi por isso, que grosseiramente e sem nenhum motivo eu fiz a seguinte pergunta:

- Mas, o que você quer de mim? - Eu disse essas palavras secamente, num tom exageradamente sério. Ele percebeu isso e sorriu desdenhosamente.

- Ora, vejo que não me enganei, matemático. Você é transparente, exatamente como eu supunha. Homens assim são raros hoje em dia. Eu vim te fazer uma proposta, mas queria que você pensasse muito bem nela. Quer escrever minha história?

Me senti um pouco surpreso e um pouco intranqüilo. Não sabia o que responder, mas, em uma atitude de orgulhosa defesa disse petulantemente:

- Não me tome como um escritor de biografias. Quero apenas sua sinceridade. Se você me convencer de que a sua história é boa, terei prazer em escrevê-la. Senão, espero que não fiques ofendido.

Eu não pude perceber o que ele pensava através de sua expressão. Só sei que, ao vê-lo pegar a mochila, achei que ele ia embora sem dizer palavra. Porém, ao contrário, ele a pôs sobre a mesa em que lanchávamos, tirou um comprido e estreito volume enrolado em panos e o desenrolou sobre a mesa. Era a Espada do Guerreiro.

Eu levantei ruidosamente da mesa, derrubando a cadeira. Meus olhos estavam carregados de ódio. Coloquei-me em posição de luta, como não me punha há mais de sete anos e gritei assustando todos os que estavam na lanchonete:

- Assassino! Assassino! Você matou nosso mestre para tomar a Espada do Guerreiro. Quem é você? Eu vingarei a morte de meu mestre, desgraçado! – disse isso e logo após escarrei ruidosamente na sua cara.

Ele levantou-se lentamente, enquanto se limpava com um guardanapo e disse, num misto de fúria e vontade e desejo de reconciliação:

- Insolente! Você não me assusta com essa posição. Se eu quisesse, mataria você e todos nessa sala. Eu vim para conversar, por isso peço que sentes e me escute.

O tom no fim me fez me acalmar. Peguei a cadeira no chão, mas ainda com ódio levantei e pedi desculpas aos que tinham me cercado nesse momento.

- Diga rápido, pois tenho pessoas à minha espera.

- Eu não matei o mestre. Eu estive com ele no Ano Novo. Espero que você não tenha pressa, tenho muito para lhe explicar. – disse isso e me contou seus últimos momentos com o mestre.

Eu o escutei, silencioso, mas percebi que ele dizia a verdade. Quase chorei quando ele contou sobre a morte do mestre. Escutei particularmente a parte da ordem do Dragão. Há muito tempo eu tive meus problemas com a ordem e não queria voltar a tê-los. E a narrativa me fez lembrar de P., com quem eu tinha tido um intenso relacionamento, há alguns anos. Após ele terminar toda a história eu perguntei:

- Foi P. quem disse pra você me procurar, não foi?

O sorriso desdenhoso voltara.

- É, matemático, você não perde nada. – depois de uma pausa ele continuou – Foi ela sim, há alguns meses. Desde então eu tenho te procurado. Você é um dos maiores mestres da Tranqüilidade, deveria saber que eu viria.

- Não sou mestre de nada. Deixei a ordem há tempos. Agora eu sou homem de uma mulher só.

- A Punk é especial mesmo. Não devo detê-lo, matemático. Eu o procurarei amanhã e espero uma resposta. Pense bem no que eu te disse, a profecia pode se cumprir a qualquer momento.

Disse isso e se foi. Eu fiquei mais alguns minutos pensando em tudo que tinha visto e ouvido. Era a História que eu estava prestes a escrita. Havia muito o que pensar...

(continua)...

Eita! Mestre da Tranqüilidade?!?!?!? Não é bem essa visão que tenho de você...

Esse (continua...) me mata!!!!

Esperarei...

Interessante, também tenho uma história pra contar. você conta pra mim?
Beijos.

É o tipo de coisa que eu tomaria como conspiração, esse negócio de "continua..."

Escreve um livro, vai. Gosto tanto do que você escreve. Mestre da Tranquilidade? Eu diria até além disso!

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