martedì, febbraio 28, 2006

De volta....

Caros,

Estive viajando e só agora voltei. Sinto não ter dado avisos, mas as coisas forma um pouco mais rápidas do que eu previa e não consegui postar nada nos últimos dias.

Escreverei sobre minhas peripécias em breve.

Abraços

Roger Elias Tabaldi
Vulgo Poeta Matemático

sabato, febbraio 18, 2006

Noites...


Eu quis enlouquecer em tuas madeixas
e entregar seus lábios úmidos,
sentir-me como o vento que outrora
coloria o céu escartale da Estrutral
Ao fim das tardes secas de agosto.

Eu te quis como a chuva de setembro
E te enlacei tal a lua enlaça o sol
em um balé de arrebol
Dos dois corpos celestes que se repelem
E se atraem num eclipse universal
e copulam devagar
Num cósmico espetáculo estelar
os fogos de artifício, supernovas,
onde os ventos que sopram, não-alísios
também semeiam rosas e lírios
com o ósculo polínico e poligonal...

E dancei contigo insanamente
Tão insano e insolente
exigi um beijo teu
e tal beijo despertou
um sentimento bestial
euforia sem igual
que a dança potencializava...

Mas a dança acabou
mas o tempo também não
o eclipse não durou
mais do que o sorriso
deste sol indeciso...

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Mais um pra Punk. Espero que ela leia, um dia.


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Nova Parte da Saga

Oi,

Tem uma parte nova da saga do anarquista aqui. Quem acompanha, faça um favor de dar uma olhada.

Abraços

Roger Elias Tabaldi
Vulgo Poeta Matemático

mercoledì, febbraio 15, 2006

Punk Love...

Veja bem comigo esses barcos
Eles nao parecem mais comigo
E choram de vergonha e esperança
E saudade e lembrança e verso e fogo
Com os dedos que dedilham e dedilham

Vem comigo, vem comigo, vem...
Amar pelo deserto de jasmins
Beijar enlouquecida pela madrugada
Dos aflitos generais de um asilo

Vem pra me amar e esquecer
Aquele dia triste de abril
Que finda na memoria mais distante
Que cobra desta alma indolente
Que clama do peito incosequente
Que caminha, e caminha e caminha

Ah, aqueles beijos lindos
Ah, aqueles sonhos faceis
Ah, aquelas frases feitas
E o coraçao que se rebate
No compasso e na tarde...

Vem pra dançar o amor
Pra esqueecer o fim
Pra recriar, assim
Um mundo renovado,
Eterno sentimento dos amates...

Labaredas.

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Mais uma pequena cançao pra uma punkissima pessoa. Espero que ela leia um dia ou pelo menos saiba que escrevi...

Enquanto isso deixo aquele mesmo osculo que a dei naquela tarde em que um e um se tornaram um. E que um e um nao eram dois...

.....

martedì, febbraio 14, 2006

Amor

O amor é planta, que cresce
E domina a alma do amante
E destrona o rei e o príncipe
E perde do caminho o caminhante

É a sensação que domina,
O supremo descompasso
A flor que descansa no regaço
E sustenta as sentimentalidades

Ah! Insensato coração
Leviano como um beijo
Que derruba, atrapalha e reverbera.
Um beijo surdo que muda tudo
Um maremoto, um furacão
Um clamor, revolução

Uma força que derruba e recomeça.
Um recomeço que reforma e reforça
Um reforço que deforma e arrebata....


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Eu não curto muito esses posts de namorado pra namorada, mas acho que de vez em quando a Punk merece um tiquinho....

Por isso, meus próximos posts serão todos pra ela...

O Amor é assim. Amor de punk é ainda mais...

lunedì, febbraio 13, 2006

Novo Blog Punk

Caros,

Eu resolvi colocar os posts sobre a saga do Anarquista em um novo blog. Espero que vocês o visitem. Pretendo atualizar toda semana, sempre aos sábados.

Resolvi fazer isso porque os post vão ficar mais compridos a partir de agora. O Anarquista tem feito muita coisa ultimamente.

Espero a compreensão de todos, mas acho que um blog não é o lugar adequado para as histórias compridas que tenho escrito ultimamente. Deste modo, peço aos leitores assíduos que dêem uma visitinha de vez em quando...

Abraço a Todos

Roger Elias Tabaldi,
Vulgo Poeta Matemático

domenica, febbraio 12, 2006

Sobre Como o Poeta Matemático e o Anarquista se Reencontram Após 10 anos (parte II)

Para compreender essa parte da história, é preciso ler a primeira parte.



- Dez anos? – eu disse, um pouco surpreso – Ora, não era de se estranhar! Quase tudo mudou nesses dez anos...

- De todo modo, acho que você ainda não se lembra de mim.

Ele disse isso e parou, em frente à biblioteca, que pra mim parecia um grande templo japonês. Na verdade, isso tinha um sentido completamente metafísico que eu não podia compreender naquele momento. Só sei que olhei mais uma vez praquele grande prédio (que eu chamava carinhosamente de Templo de Euclides, não sei até hoje porquê...) e, nesse olhar, vi que mudava para sempre meu destino, naquele momento. Ora, aquele interessante personagem, que me conhecia, me intrigava estava ali para me fazer perceber alguma coisa muito importante.

- (censurado)! – disse isso cheio de entusiasmo - Esse é o seu nome, não é? Lembrei-me agora. Você lutava judô comigo, há muito tempo atrás, na academia do sansei (censurado). Ora, faz muitos anos mesmo! E o que você tem feito? Como sabe, eu estou estudando para ser matemático.

A conversa a partir daí tomou um tom jovial, de dois amigos que se reencontram.

- Bem, eu estudo aqui também, moro na CEU. Sou aluno de Relações Internacionais. De vez em quando te vejo ir para a aula de natação. Hoje em particular achei que seria um bom momento para conversarmos.

- Vamos entrar, acho que posso te pagar ao menos um pão de queijo, não?

- Não pode, eu faço questão de pagar...

- Então cada um paga o seu e ninguém fica chateado...

E assim conversamos amigavelmente, por mais de vinte minutos. Não eram assuntos importantes, urgentes ou sérios, eram apenas lembranças de dois velhos amigos que se reencontram. E como essas lembranças são sólidas para aqueles que as viveram! Ora, num dia completamente nebuloso para mim (eu detesto a universidade) eu tinha sido surpreendido por um interessante acontecimento. Na verdade, nossa amizade jamais tinha sido sólida e foi com surpresa que eu vi como estávamos nos dando bem.

Porém, algo me deixava com uma pulga atrás da orelha. Talvez fosse o tom dele, algum tipo de grande preocupação, ou a certeza que ele sabia mais do que dizia. Então, minha amabilidade inicial foi substituída por uma irritação profunda, que tomou conta de mim. Foi por isso, que grosseiramente e sem nenhum motivo eu fiz a seguinte pergunta:

- Mas, o que você quer de mim? - Eu disse essas palavras secamente, num tom exageradamente sério. Ele percebeu isso e sorriu desdenhosamente.

- Ora, vejo que não me enganei, matemático. Você é transparente, exatamente como eu supunha. Homens assim são raros hoje em dia. Eu vim te fazer uma proposta, mas queria que você pensasse muito bem nela. Quer escrever minha história?

Me senti um pouco surpreso e um pouco intranqüilo. Não sabia o que responder, mas, em uma atitude de orgulhosa defesa disse petulantemente:

- Não me tome como um escritor de biografias. Quero apenas sua sinceridade. Se você me convencer de que a sua história é boa, terei prazer em escrevê-la. Senão, espero que não fiques ofendido.

Eu não pude perceber o que ele pensava através de sua expressão. Só sei que, ao vê-lo pegar a mochila, achei que ele ia embora sem dizer palavra. Porém, ao contrário, ele a pôs sobre a mesa em que lanchávamos, tirou um comprido e estreito volume enrolado em panos e o desenrolou sobre a mesa. Era a Espada do Guerreiro.

Eu levantei ruidosamente da mesa, derrubando a cadeira. Meus olhos estavam carregados de ódio. Coloquei-me em posição de luta, como não me punha há mais de sete anos e gritei assustando todos os que estavam na lanchonete:

- Assassino! Assassino! Você matou nosso mestre para tomar a Espada do Guerreiro. Quem é você? Eu vingarei a morte de meu mestre, desgraçado! – disse isso e logo após escarrei ruidosamente na sua cara.

Ele levantou-se lentamente, enquanto se limpava com um guardanapo e disse, num misto de fúria e vontade e desejo de reconciliação:

- Insolente! Você não me assusta com essa posição. Se eu quisesse, mataria você e todos nessa sala. Eu vim para conversar, por isso peço que sentes e me escute.

O tom no fim me fez me acalmar. Peguei a cadeira no chão, mas ainda com ódio levantei e pedi desculpas aos que tinham me cercado nesse momento.

- Diga rápido, pois tenho pessoas à minha espera.

- Eu não matei o mestre. Eu estive com ele no Ano Novo. Espero que você não tenha pressa, tenho muito para lhe explicar. – disse isso e me contou seus últimos momentos com o mestre.

Eu o escutei, silencioso, mas percebi que ele dizia a verdade. Quase chorei quando ele contou sobre a morte do mestre. Escutei particularmente a parte da ordem do Dragão. Há muito tempo eu tive meus problemas com a ordem e não queria voltar a tê-los. E a narrativa me fez lembrar de P., com quem eu tinha tido um intenso relacionamento, há alguns anos. Após ele terminar toda a história eu perguntei:

- Foi P. quem disse pra você me procurar, não foi?

O sorriso desdenhoso voltara.

- É, matemático, você não perde nada. – depois de uma pausa ele continuou – Foi ela sim, há alguns meses. Desde então eu tenho te procurado. Você é um dos maiores mestres da Tranqüilidade, deveria saber que eu viria.

- Não sou mestre de nada. Deixei a ordem há tempos. Agora eu sou homem de uma mulher só.

- A Punk é especial mesmo. Não devo detê-lo, matemático. Eu o procurarei amanhã e espero uma resposta. Pense bem no que eu te disse, a profecia pode se cumprir a qualquer momento.

Disse isso e se foi. Eu fiquei mais alguns minutos pensando em tudo que tinha visto e ouvido. Era a História que eu estava prestes a escrita. Havia muito o que pensar...

(continua)...

sabato, febbraio 11, 2006

Um Dia Feliz, Enfim

Depois de tanto tempo, um dia feliz
Em meio aos escombros de nossa humanidade
Não desejei te ter pelo caminho mais bonito
A voar rapidamente como se tivéssemos asas
Batendo-as fortemente para derrubar o mundo

Eu não pensei em você e isso me faz mais forte
Quero gritar, eu estou livre, sou como o pássaro
Imaculado e decadente pelos campos descobertos
Eu sou cruel e forte, posso todas as coisas
E por ter poder não vou usa-lo contra ti

Eu vejo um mundo novo de possibilidades
Incalculáveis, se descortinam em minha frente
E se dobram sobre mim como os sinos de natal!
A sabedoria está a meu serviço, agora eu sei!
Sempre esteve e sempre estará, até segunda ordem.

mercoledì, febbraio 08, 2006

Algumas Musiquinhas

Bem, às vezes eu ataco o violão, como alguns aqui sabem. Então, resolvi postar umas coisinhas aqui. Ei-las:

Bossa Nova Armageddon

Dorme lá fora a cidade no seu manto negro
Enquanto eu aqui no meu quarto espero sentado
Por promessas de titãs
Que em dias difíceis ousei acreditar
Mas já é tarde...
O Armageddon está em nossa porta
Nos esperando pra brincar de amor...

Porque tá tudo tão cinza?
Porque tanta gente gritando?
A face escura da morte é mesmo tão linda...
Mas se é tarde pra perdoar
Pra quê ouvir o barulho dos crentes
A me azucrinar?
Não quero saber...
Já posso ver
Os anjos da Morte
Nos levando pro azul do amor...

Eu não acreditava em buracos negros...
A Terra é mesmo azul vista daqui de cima!
Sorte que ninguém contará nossos erros a nossos filhos
Óh, meu amor! Não queira ter filhos
Vê-los morrer de terror é muito ruim...

(Em ritmo de bossa nova, do começo ao fim...)

Os Anjos da Revolução

Desde pequeno,
Quando vem a noite
Temo a escuridão!
Porque me lembro
Daquela tarde
Em que começou a revolução!
Quando nossas tropas,
Dadas como mortas
Tomaram o Controle do país
E a democracia
Foi subjulgada
Dada como meretriz!
E os nossos versos
Não foram escutados
Por quem mais precisava ouvir
E eu pude ver você
Chorar pelos cantos
Caçando outro jeito de fugir!
E agora em nossa boca
Só há gosto de estrume
Restos de uma luta sem razão
E já que não podemos
Pintar as nossas caras
Ou juntar os gritos da nação:

Correremos pois
Pra um lugar bem mais distante
Invadiremos pois
A casa do ditador
Pintaremos nossas vergonhas
Com as cores da inveja
E a esperança então
Será esposa do terror
E os tomates atirados
Não serão mais esquecidos,
Daremos a eles
O tesouro que não temos
A cobiça e a difamação
Serão a marca dessa nova nação
Tão bela como a antiga....

Eu tive medo do escuro
Eu tive medo da chuva
Eu tive medo do ódio
E da revolução
(2X)

(Dedilhado nas primeira parte e rock nas duas últimas)


Falsos Ideais

Já se foram Falsos Ideais
Velhos garotos já não cantam mais
Eu já te diverti fique longe daqui
A minha casa não merece você...

Já se foram os crimes banais
Todos fugiram dos Anões de Jardim
E esse silêncio não me traz sossego
Fico com medo da polícia o dia inteiro

Me lembro daqueles dias
Parece ontem mas foi longe daqui
Aquele barbudo comunista
Nos dizendo o que fazer de nossas vidas

Mas eram tudo falsos ideais
Velhos garotos já não cantam mais
Ou dizem Aleluia
Ou dizem Aleluia
Ou dizem Aleluia e Adeus....

(Dedilhado nas primeiras partes, entra a bateria e o resto dos instrumentos na última)

Espero que vocês tenham gostado. Se der eu mando os arquivos gravados um dia ou canto, hehe...

Abraço...

lunedì, febbraio 06, 2006

Sobre como o Poeta Matemático e o Anarquista se Reencontram Depois de 10 anos:

A última parte da história parece completamente absurda e, de fato, para aqueles que não conhecem a Ordem e todas essas coisas, pode parecer. O que posso dizer sobre esses fatos narrados é que, surpreendentemente, são todos reais, tirando certas partes em que minha mão de escritor modificou convenientemente para esconder os reais personagens dessa história.

Na verdade, para mim foi uma grande surpresa quando reencontrei o Anarquista depois de 10 anos e ele me contou essas coisas. Foi mais surpreendente ainda quando ele me confiou a tarefa de contar a história no meu blog, mas assim eu me adianto. Vamos aos fatos, na ordem que aconteceram.


Era dia 03 de janeiro e eu andava distraído como sempre, depois da aula de natação. Na verdade, não tinha sido bem uma aula, pois o meu exame (e o de todos os alunos) estava vencido e, por causa da greve, não o renovei. A aula resumiu-se a dar um prazo para que os alunos fossem ao médico, fazer o tal exame, necessário à prática de natação.


Foi justamente por isso, que às 8:30 (vinte minutos depois do início da “aula”) eu estava andando em direção à biblioteca, para renovar os livros que estiveram comigo durante a greve. Não que eu não tivesse tido tempo para lê-los, mas eu pretendia escrever um artigo sobre educação e esses livros eram importantes como base teórica para tal.


Do Centro Olímpico (onde ficam as piscinas) à biblioteca são quase dois quilômetros. Deste modo, eu teria muito tempo para aquelas divagações e especulações que sempre estão na alma dos caminhantes, em particular na minha. Pensava em mil coisas, muitas delas absurdas. Pensava no meu futuro, como escritor, ou como matemático, ou como Imperador do Mundo, ou em histórias fantásticas que eu tinha lido, ou inventava ali mesmo.


Na verdade eu tenho o hábito de imaginar muitas coisas enquanto eu caminho, mas o que mais me apraz é observar as pessoas que estão à minha volta. Eu gosto muito disso. Eu imagino uma composição com o ambiente, como um retrato espontâneo que se faz do outro, que eu vou caricaturizando, recompondo, recriando e, no fim, tenho uma imagem poética de quem eu observei que serve de substrato para personagens, romances, poesias...


Pois bem eu estava fazendo justamente isso, naquele dia 03 de janeiro. Eu olhava o ambiente, a grama levemente molhada, o friozinho bom do começo de janeiro, as frutas e flores, os carros andando letárgicos. Onde eu estava, dava pra ver bem o Congresso e a Torre de TV e ambos ambientes me faziam imaginar uma série de coisas.


Mas eles saíam da mente bem depressa. Me lembro de ter visto uma jovem muito bonita, que passou por mim e me olhou nos olhos, me lembro de um cachorro vira-lata, de um carro de vidros espelhados. Tudo isso acabou virando histórias que se perderam em minhas divagações.


Me desculpem, mas eu ainda não me descrevi. Acho que é mal de escritor, falar do que vê, mas nunca falar de si. Na verdade é difícil se descrever. Acho que posso passar uma imagem estilizada e romântica demais, ou caricata demais, ou, o que é muito pior, simplória demais, o que não corresponde à realidade. Vou tentar ser o mais isento possível nessa descrição.


Bem, eu não me considero bonito, nem feio. Na verdade, às vezes eu fico mais feio de propósito, pra afastar pessoas que eu não tenho afinidade e que só se interessam em coisas como beleza e ostentação. Tenho olhos castanhos escuros e uso óculos, não por necessidade (poderia muito bem usar lentes de contato), mas acho que assim meu olhar fica mais incógnito. Tenho dentes muito brancos e relativamente tortos, mas sempre sorrio com grande franqueza. Na verdade, às vezes acho que sorrio demais e isso incomoda certas pessoas. Mas meus amigos de verdade sempre riem comigo, mesmo nas piores desgraças. Sou um eterno sorridente. E isso se reflete no meu humor. Eu jamais fico com raiva de alguém por mais de cinco minutos. Embora a juventude acentue certos arroubos que me fazem parecer mais irritado ou arredio do que realmente sou, quem se preocupa em conversar comigo por mais de cinco minutos sabe que sou uma pessoa muito alegre e expansiva, que conta boas piadas, faz caretas e que está sempre pronta para se divertir. Mas eu tenho o defeito da timidez. Sou um tímido convicto. É com muita força que faço novas amizades em lugares em que ninguém me conhece. Mas essa timidez é um artifício para ficar observando as pessoas sem ser notado. Faço todo o possível para desaparecer e, assim continuar fazendo meus retratos mentais. Tenho estatura mediana e atualmente estou um pouco acima do peso, porém, em toda minha vida eu fui franzino. Naquele dia eu estava com uma bermuda cinza, chinelos e uma camiseta surrada, carregando minha velha mochila nas costas.


Outro traço marcante de minha personalidade é a minha intuição. Muitas vezes em minha vida eu tomo decisões por impulso e, paradoxalmente, eles costumam estar corretas. Pareço sempre prever as coisas, o momento certo pra encontrar alguém, adivinho o lugar interessante, o acesso mais rápido pra algum lugar, a hora certa de se entregar ao beijo, essas coisas que todos chamam de coincidências. Naquele dia em particular eu estava quase prevendo que ia acontecer uma coisa emocionante. E isso estava impregnado em mim e, achava, podia ser sentido à distância. Era como que uma espera absurda por algo, um evento, um acontecimento marcante.
Absorto, andando lentamente, quase me arrastando, não notei a interessante figura que passou por mim. Era um jovem alto, em torno de 1,85m cabelos castanhos, curtos e lisos e andar firme. Trajava uma camiseta regata azul, uma calça impecavelmente branca, feita de um tecido duro, quase tanto quanto o jeans, que estava meio folgada. Como eu, ele usava chinelos. Em sua pressa ele si distanciou em minha frente, algo como dez ou doze passos. Repentinamente parou.


Eu não sei porque me interessei particularmente por esse tipo. Não o achei bonito, nem galante, nem sequer achei-o digno de nota, mas uma coisa aqui dentro me dizia que ele era muito mais do que aparentava. Foi com grande surpresa que o vi parar. Ora, isso significava que eu deveria continuar andando e disfarçar minhas impressões sobre aquela figura. Foi o que eu tentei fazer. Andei mais depressa e, ao passar por ele desviei o olhar para a direita, como se lá houvesse algo particularmente interessante. Eu vi que ele percebeu isso e senti que ele sorriu.


- Estava na aula de natação, matemático? – disse, me assustando.


- Ora, como sabes que sou matemático?


- Hum! Sei mais sobre você do que pensas. Diga-me, porque me observavas daquela maneira agora a pouco? – perguntou, com um ar visivelmente interrogativo, mas nem um pouco grave.


Pela primeira vez o olhei nos olhos e vi que ele me parecia ligeiramente familiar. Não sei se era a expressão que era conhecida, ou os traços do rosto. Mas, não sei porque, me senti atraído por ele. Acho que era um caráter carismático que existe em certas pessoas. O fato é que isso, junto do sorriso me fez esquecer minha timidez habitual e conversar com franqueza.


- Não sei, pensava aqui com meus botões, acho que você é um tipo bastante peculiar. Parece que você é um desses tipos saído de romances – disse isso, dando um sorriso sincero.


- É o que achas? – disse ele. Engraçado, eu pensava que você deveria ser um bom escritor.


Senti um certo ar de desdém, mas me mantive firme


- Vais para a biblioteca? – perguntei.


- Sim, era o que tencionava fazer. - disse isso e depois de uma pausa completou: - Não te lembras de mim (censurado)?


Ora, então ele me conhecia. Que interessante...


- Te acho familiar, mas não me lembro de onde.


- Deve ser porque faz dez anos que nos vimos pela última vez.


Continua...

venerdì, febbraio 03, 2006

Banquete de Sensações (Soneto 8)



Embarque na nau para a fantástica descoberta
É nela que se encontrarão seus vultos sedentos de sangue.
Em seu ventre o degredo para beatitudes supremas
Em seu caminho a certeza da escolha certa...

É o outro lado que nos chama para a festividade,
A primavera de dois amantes que não existirão mais,
O processo indubitável da simplicidade celta:
O martelo de Thor é a fonte da tranqüilidade.

Vê? É o ninho da águia prateada sobre o pico gelado
É o assovio do vento que te chama ao lado
Para a orgia nova em honra ao escurecer!

A sentinela baterá continência pelo desafio
E eu não escuto, sigo pelo caudaloso rio
Que é a vida: tábua de salvação