giovedì, dicembre 29, 2005

Parte I (Finalizada)

Ato 1

O cenário representa uma sala, ambientada nos anos 40. Existe um pequeno rádio que toca músicas da época sobre uma estante. Existe um sofá sobre o qual a personagem (Joana) está sentada, lendo uma revista e bem próximo, uma cadeira. No outro lado, menos iluminado do palco existe uma cama de casal e o ambiente de um quarto. Ouvem se passos e a segunda atriz (Amélia) entra.

Nota: As falas de Joana serão representadas de azul e Amélia de vermelho, para facilitar a leitura da poesia:

Boa tarde, de onde vens?
Aprochegai-se e conversai
Afastai a cadeira e sentai
Que boas-novas tens?

Joana, como estás?
Boas novas? Ilusão...
É a guerra com sua mão
Que nos entrega à servidão!
É a morte que nos corrói
É o ódio que nos destrói
É o Sangue que Enaltece
E as perna desobedece
E o pensamento voando no ar...

Não me diga minha cunhada
Não fale de guerra, de ilusão
Morte, sangue, destruição
Os homens e seus destinos
Seus sentimentos ferinos
Me deixam na solidão
A lembrar de meu marido
Meu doce e amado Lino
Que foi deitar-se no chão
Rasteja agora na guerra
Com o focinho na terra
Cavoucando com a mão
E batendo continência
Pra vossa excelência
Usá-lo como lição...

Ah! Os homens e seus sabres...
Quanto de bom neles falta?
Falta lucidez que limpa a alma
Falta amor que liberta dos males...

(Uma breve pausa. Amélia levanta-se e anda pelo cenário, aturdida. Bruscamente pára e olha para Júlia, que a observa curiosa...)

Falando de amores e homens
Falando de dores e guerras
Que tiram a paz da terra
E de tudo de bom que some
Tenho até esperança
E uma laica punjança
Ao vir-lhe aqui falar...
É que meu coração pede
A alma aqui dentro remexe
Não tem jeito de parar
Eu venho me segurando
Com muito custo tentando
Até me faltar o ar
Se a minha boca se cala
Mil dias de minha andada
Parecem se acabar

Diga-me bem depressa
Que grande coisa é essa
Que ousa te atormentar
Diga-me, mas sem medo
Pois nem que me corte um dedo
Deixar-te-ei agonizar
Libere o teu coração
Tua cunhada, com correção
Haverá de te escutar...

(Tocando Joana nos ombros, Amélia diz)

Cunhada, eu tenho medo
Sei que é um grande pecado
O segredo bem guardado
Que tenho no fundo do quarto
Que minha mente deixou guardar
Mas a dor é tamanha
Que o coração espanta
A mente que quer calar...
Digo envergonhada
Mas, finalmente descansada
Que o meu grande pecado
É ousar te amar...

(Joanase desvencilha de Amélia e fala alterada:)

Que assunto é esse que falais?
De onde tiras tamanhos despaltérios?
Até parece que falas sério
Agora que me interpelais...
Como podes dizer tais coisas
Com tamanho descaro
Sabendo que lhe guardo
Sentimentos fraternais?
Tu és irmã de meu marido
E falando disso comigo
É a seu irmão que trais...

Não me culpe por amá-la
Meu amor é tão estrambólico
Tentei fazê-lo bucólico
Mas eu não pude mais...
Guardei tal sentimento
Desde o primeiro momento
Que te vi nos cafezais...
E quando meu irmão Lino
Jurou te amor eterno
Em cima daquele altar
Não via outra maneira
De viver nessa peleja
Que não fosse me matar...
E quando estava com a faca
Caçando minha veia cava
Em pé, no espaldar...
Lembrei que não é pecado
Ousar ter-te amado
Pecado era me matar...
E quando ele foi à guerra
Como os homens desta terra
Aprender a atirar,
Foi o meu coração
Que me traiu a razão
E me obrigou a declarar
O amor que lhe tenho tido
E o desejo que tinha contido
De querer te beijar...

(Amélia tenta beijar Joana, que se desvencilha e foge para o quarto. Amélia a segue e a encurrala sobre a cama)

Saia de perto de mim
Se continuas assim
Me obrigas a gritar

(Amélia sobe na cama e fica bem próxima de Joanaque se encolhe na cabeceira...)

Eu podia ficar calada,
Podia sonhar calada,
Podia viver calada,
Sozinha, te amar...

Mas vejo nos seus olhos,
Seus brilhos majestosos
Que não seria a única a me calar!

Não diga todas essas coisas...
Como podes saber o que é amor?
Amor existe um apenas, uma dor
Uma dor profunda e louca
Que destrói as barreiras da existência
E que desafia toda inteligência...
Que só se explica com a ignorância...
Que só admite incoerência
E que só entendem os amantes

Amor é uma perdição
Uma doença, maldição,
Uma fagulha que bate no peito
Que não me deixa agir direito
Que me segura a razão
Amor é remissão, é vida
É morte que reviva
Que sente bem o coração
É a vil humanidade
Remida na mesma insanidade
Desde que o primeiro homem amou
E se isso é lícito aos homens
Que lutam por seus nomes
Em guerras, mortes e horror...
Que dirá de duas mulheres
Que ardem nessa espera
Que nossa sina deixou...

Não continue assim...

Continuo e continuarei
Pois sei que o ósculo
Que agora te darei
Te mostrará minha paixão!!

(Amélia e Joana se beijam apaixonadamente, sobre a cama).

Vê? É minha alma apaixonada
Que deseja sua alma desterrada
Que agora perdeu o chão...

Vejo! É o chão que se esvai
É a lágrima que rola e cai
É o peito que bate descompassado
Em ritmo de um soneto apaixonado
Recitado e cantado em corais
É a peça metalingüada
A sede que segue chorada
Amada com sede e mais!!!

Mulheres e suas lágrimas
Em festas e carnavais
Em sonhos e pesadelos
Amando, com dores e medos
Mas amando sempre e mais
...

(Joana chora sobre o colo de Amélia, mas sorri, ambas recostadas na cabeceira)

Tua boca me aprisiona
Tua respiração me controla
Tua vontade me guia
Teu sorriso me distrai
Teu colo me refresca
Meu corpo se contrai
Teu corpo me atrai
Teu seio me excita
Minha alma também grita
Frágil, sozinha, delicada e muito mais...

(outro beijo...)

Fim da primeira parte...

mercoledì, dicembre 28, 2005

Uma Licença Prosaica Num Blog Poético

Algumas pessoas me pediram pra eu mandar o Ato 2 logo, no e-mail, no MSN e no blog. Me sinto muito orgulhoso por essa obra despretenciosa ter chamado a atenção de algumas pessoas, inclusive alguns que lêem e nunca postam. Por causa disso, tenho de acreditar que não posso postar mais alguma coisa enquanto não estiver com tudo pronto.

Discuti com algumas pessoas que têm experiência com teatro e expus toda a história e eles gostaram tanto que se interessaram em encenar em breve. Por causa disso resolvi fazer um trabalho mais profissional que consiste da preparação de um story board, e tenciono incluir mais alguns elementos teatrais, talvez até um coro. Estou analizando as sugestões apresentadas (ainda nem decidi se vai ser Joana, ou Júlia, hehe...) antes de fazer as correções no que já escrevi e mandar mais algumas coisas pro blog. Como é um trabalho autoral, às vezes demora mais do que a gente gostaria, mas me comprometo a enviar em breve todos os atos, assim que estiverem concluídos

Deste modo, peço paciência aos leitores deste blog e prometo postar algo novo ainda essa semana, se mais tardar na próxima.

Peço desculpas de eventuais frustrações e espero que vocês gostem dessa história erótica, heróica e bocólica...

Paz e Bem a todos...

Ass.: Poeta Matemático

lunedì, dicembre 19, 2005

Chuva de Ópio



Acorda! O tempo é novo e está batendo à porta
Levanta! O muro foi erguido e não podemos ir a outro canto
Os Tiranos abrem caminho pela nossa retaguarda
E dizem ser apenas tática de Choque e Espanto

É tarde, todas as crianças se perderam antes de ti
E choro porque nada pudemos contra a força dos Tiranos
Que diziam que trariam para nós a plena liberdade
Mas fizeram escombros os sonhos pelos quais lutamos

É a noite da destruição, corra para longe daqui
O Padre já tirou sua batina, é o fim de tudo
Porque agora o terror está à solta ao derredor
E o Mal é detentor agora de todo o poder do mundo

Meus filhos!!! Onde estão meus filhos????
Por Deus, como pode haver tanta barbárie?
A esperança não morreu, foi trucidada
E o terror nos invadiu enquanto estávamos mais fortes...

É o fim, adeus!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

O Louco e o Furacão

Segurava todo o tempo com a palma da mão
Inventava nova história para esquecer solidão
E vivia no seu mundo esperando a missão
Quando veio o Tornado que o mudou de estação
Planou por vinte dias em terras sem comparação
E viu tudo do alto e entendeu a relação
Entre tudo que havia, o que podia ser que não!

Fabricou as próprias asas com as penas do faisão
Que jazia inapelável, atingido errou o chão,
Cobriu o céu de chocolate, é assim o furacão!
Espalhou medo no mundo: “prostrem em adoração
Pois sou eu que vos controlo, minha é tua produção
Quem tem o conhecimento controla a situação
Pagarei bm a vocês, meu preço: prostituição!”

giovedì, dicembre 15, 2005

Medo


Plebe Rude

Composição: Redson

As vezes tenho medo
As vezes sinto a minha mão
presa pelo ar

E quando olho em volta
eu vejo uma multidão
presa pelo ar

As vezes sinto raiva
as vezes sinto que a ilusão
me faz recuar

Pois muita gente mesmo
pois muita gente da a mão
só pra empurrar
Só pra empurrar
só pra empurrar

Eles te dão a mão
te dão a mão
Só pra empurrar
Eles te dão a mão, te dão a mão... Só!

As vezes tenho medo
As vezes sinto a minha mão
presa pelo ar

Pois muita gente mesmo
pois muita gente
da a mão só pra empurra

r Só pra empurrar
só pra empurrar
Eles te dão a mão,
te dão a mão
Só pra empurrar

mercoledì, dicembre 14, 2005

Mães



Escreve pois, pelas brisas macilentas e uivantes
De terras desterradas e abandonadas pelos homens
De almas chorosas e sedentas de frio e fome

Escreve pois, escreve. Escreve tua tentação
Escreve a marca ritual do velho homem
Ditando o Velho e recitando o amor ao pão...

Escreve a marca e descreve o trigo
Farofa a massa e amassa o rito
Semeia a fé e faz realidade lívida
Repica o verso e pare a terra sofrida!!!

Vai, caminha pelas terras nuas, imortais
Os peitos brancos mamados por animais
As injustiças paridas em barcos inauditos
Parindo o mundo e libertando bandidos...

lunedì, dicembre 12, 2005

JujudeBlu



Clamai e chamai as rosas e os arlequins
Pois é novo tempo pros brados tupiniquins
Pros velhos, pros novos, pros gênios ruins...

Clamai fantasmas augustos blenorrágicos
Clamai com seus lamentos esporádicos
Clamai por aí com seu vôo errático...

Mas, porque sois assim tão vilipendiosos?
Não sabeis acaso de meus sentimentos jocosos?
As cartas que escondo disfarçam os sorrisos
Dos traumas, das facas, flores em guiso...

São tudo canções mortas, e lamentos mortais
Abraços, beijos, carícias, lamentos guturais...
São tudo vestes diáfanas a serviço de tu
São aves mortais pedindo o fim da greve da Juju.

sabato, dicembre 10, 2005

Paz



Eu vi o fim da estrada antes do entardecer
E comemorei como poucos a sua chegada.
Telegrafei os meus sonhos para o mundo
Para surpreender os inimigos com minha empreitada

Edifiquei novas alianças, revolucionei todo o resto
Para que os excluídos pudessem ser lembrados
E seus desejos profundos atendidos

Mas, é grande o desassossego que me cerca
Tão estupendo que não o podem conter os muros
Por isso não me perco nas minhas penas
E não chorarei a perda de meus sonhos puros.

A rosa que trouxeste ainda pulsa com meu sangue
A dor era pungente, mas nem por isso insuportável
E assim pude me despedir tranqüilamente do tudo.

Para Sergio Vieira de Mello, grande pacificador e exemplo de perseverança.

venerdì, dicembre 09, 2005

O Amor



O amor é bruma, nebuloso.
Intransigência inconstante, aleatório
Fé inabalável, exatidão absoluta
Epístola, camisola de dormir
Fuga, sombra, verdade,tosco
Ilusão, sonho, clipe, fotografia
Retrato espontâneo, indecifrável.

giovedì, dicembre 08, 2005

Macbeth



Os grandes homens que ousaram desafiar o ábaco,
Que trucidaram a lógica e o que é permitido,
Que cederam seu lugar no céu aos anjos para cair
Nesta degradada terra de infiéis e homens santos
Para serem recebidos como mártires da continuidade
Foram os mesmos que comemoram a sua desonra
E a guilhotina de teus filhos soberanos...

Quem és tu, impuro ser que povoa meu sono?
Às vezes ousar ser o punhal manchado de sangue
Em outras é meu parente mais próximo que me toma o trono
Com a cabeça marcada com mortais vinte chagas.
Quem és tu, que danças alegremente com fervor demoníaco?
“Vamos mexer o caldeirão, porque o rei ordena a resposta”.
É o bosque que vem e me destrói, é da Inglaterra.
É o homem que nos veio antes do tempo, não tinha mãe
Perdi a batalha, pois sou estéril.

domenica, dicembre 04, 2005

Calor




Antes que se guardasse a sete chaves nosso último segredo
E que se ignorasse o que achávamos válido e bonito
E que se pintasse com tons de febril púrpura a incredulidade
Joguei me a seus pés e te desejei fortaleza absoluta e inconstante.

Fiz-me ossos e alma naquela malfadada tarde de domingo
Porque teu colo nu e indolente era meu melhor repouso
E de tão repousante me escondi em ti e tu em minha pele
Pois éramos um em forma, cor, gesto, hipótese e sentimento.

Temos um ao outro, e daí? Vais me espancar porque não te seduzi?
Será que não percebes que meu corpo impuro não te deseja?
Abra-te para mim agora mesmo e sinta um pouco de minha fúria
Corte o metal amargo que me chicoteia e liberte a semente que em mim está!

Sim, eu quero! Como eu quero o calor de tua virilha envolvente
O que me é mais rijo quer o que é meu por direito e justiça
Carrega-me agora mesmo por esse caminho intransponível
E me aceita em teu ventre acalorado, eu te chicoteio.

Sim, eu quero! Quero ter seu cheiro em meu ventre podre
Quero que te toques onde tua pele é mais sensível
E que penses em meu corpo junto ao teu corpo, tremulante.
E que saia do teu lábio meu impuro nome, fruto do desejo.

Toca-te, eu te ordeno! És minha escrava e me deves isto
Toca-te e me sente, é o que eu mais desejo!
Pense em minhas palavras sujas e meu hálito quente,
Na minha língua áspera a percorrer teu corpo

Você me quer? Diz mais alto, diz com força, não te ouço...
Vai com gosto porque agora sabes que sou teu pedaço
Ah! Podes sentir? Acaso me carregas na memória?
Pois bem, será o único local que sempre me possuirás...