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L’a Venturosa Jornada

O castelo guarda o ouro de rei, e as muralhas o protegem para a luta
A espada é a arma que o guerreiro utiliza para defender a honra do suserano
E o vassalo paga o tributo, alegremente porque sabe que assim que tudo é
O corvo se esconde nas colinas, ele tem medo de ser surpreendido em má posição
Mas ele acredita que um dia renascerá como pomba e será adimirado como um rei
A donzela espera a visita do amor e aprende a domar os seus instintos
O trovador toca a cítara, tristemente, uma canção desconhecida de todo o resto
O cão rói o seu osso, o boi rumina e o gato caça o passarinho

A luz escapa do raciocínio e muda de quando em quando, aleatoriamente
E dela eu vejo a fada a dançar e a dançar, um novo canto de flavor desconhecido
E ela fala coisas sobre o amanhã, que não veremos, e acredito, tenho fé
E a acompanho, a música é nosso guia, o compasso é o próprio sonho
E é tudo neblina, bebo o que ela manda e começo a enxergar de outro modo
O mundo é estranho, tem várias cores que desconheço, é cinza, é gigantesco
E voa pelo céu, e anda mais rápido que trovão, o meu cavalo, e dança ao som da harpa horizontal
É muita gente, são crianças, e não brincam, a terra é outra muita gente, muita gente
É a fada que me mostra, é a fada, ela mostra, ela me ama, tenho asas, as bato forte
Não pode ser, é tudo pó, tudo se foi, perco minhas asas, ouço gritos, são crianças
A fada? Onde está? Estou perdido, desolação, quero voltar, gemidos contidos
O homem sujo se esfrega na menina, ela não chora, ela não reage, estátua
Ela me olha, ela me vê, a única, ela me vê, as crianças são fadas sem asas
Ela sorri e diz alguma coisa, não ouço, o soco a cala, os dentes voam, dentes de leite
É minha lágrima, é muita fome, muita fome, violência, ninguém merece,
O peito da mamãe secou, o bebê chora. Fogo, fofo fogo, acalenta os corpos dos impuros
Espasmos involuntários, o cego é sábio, e me vê com o coração, porque é puro
E me dá a sua espada e seu escudo, e o cavalo, e o escudeiro e me envia
Muitos me vêem, gritam meu nome, vejo o dragão, escamas de bronze, corpo de ouro
O cavalo marcha forte ao meu comando, e o procura, o procura, é a espada
O fogo, a venta, a asa, o fogo, é meu braço que se vai, eu caio, não levanto
A pata me alcança, me esmaga, não existo, existo sim, eu vejo a fada, estou de volta
O moinho bate, vagaroso o trigo que colheremos, e minha esposa me convida pro jantar