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Aos Injustiçados Sapatos

Os sapatos se alternam enquanto a cidade dorme
Eles comandam, sujos, a melodia da madrugada
Eles são o relógio que governam o ritmo de meu tempo
Eles são, trôpegos, o som que hipnotiza o vôo do morcego
Seus rastros se apagam com o vento, são minha pista
É através de sua sombra que você me encontrará.
Eles que acordam os mendigos e as meretrizes
Eles que param o silêncio da Rodoviária: Rosa dos Ventos.
Eles que ouvem o som do violão, o acompanham...
Eles que dormem no banco sujo e desconfortável
Eles que levam meu corpo para o ônibus lotado.
Eles que observam ao leste, Hélio na Estrutural.
São eles que descansam ao pé da minha cama:
São eles que me levarão até você na segunda-feira.

Meus sapatos, ultimamente, me causam calos e cansaços...

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