domenica, novembre 27, 2005

Soneto


Muito sangue derramado por causa insignificante
E depois de seco e duro, eu pensei já ser o fim
Quando tudo era estranho e insensato para mim
Voltei a reagir da mesma forma que fiz antes

Mas, o que era branco e cálido se desfez
E nos braços frios de Hades me instalei
Sucumbindo ao fel que insiste em ser rei
Me encantei com teu sorriso outra vez

E por causa disso mal-despido agora estou
Como se escravo de ti fosse de novo
És a tirana que corrompe o meu povo

E me testo com os olhos no passado
Sobre o desleixo de me impor neste caminho
Estando a te amar sem que tu saibas, sozinho

martedì, novembre 22, 2005

Solidão



Dorme lá fora a cidade
No seu manto negro
Enqüanto eu aqui no meu carro
Espero sentado
Por promessas de Titãs
Que em dias difíceis
Ousei acreditar
Mas já é tarde...
O Armageddon
Está em nossa porta
Nos esperando pra brincar
de amor

Porquê tá tudo tão cinza?
Porque tanta gente brigando?
A face escura da morte é mesmo
tão linda....
Mas se é tarde pra perdoar
Pra quê ouvir o barulho dos crentes
A me azucrinar
Não quero saber...
Já posso ver
Os anjos da morte
Nos levando pro azul
do amor...

Eu não acreditava em buracos negros
A Terra é mesmo azul vista daqui de cima
Sorte que ninguém contará nosos erros
a nossos filhos

Ó, meu amor!
Não queira ter filhos...
Vê-los morrer de terros é muito ruim...

lunedì, novembre 21, 2005

Bolero


Mentiras não ditas não são mentiras, não!
Porque o que não se diz, nada nos diz ou não!
Tentei não tentar te esquecer pra ver
Que um dia a saudade vai mudar de tom
E vai poder encantar com sua velada inspiração.

Mas quem sabe e entende o que não pode ver
É feliz, pois tem a verdade em seu coração
Mas vê se não vai levantar tua voz contra o muro da inanição
Porque se não tens a verdade tudo que anda, tu deves saber,
Não vai perder uma chance de pôr-te a correr.

Mas vê se não vai correr contra a chuva
Pois ela quer usurpar tua respiração
A chuva é a falha da lua
Que a rua não sabe se existe ou se não
É a mancha da iniqüidade que a roupa
Não limpa o melhor sabão.
É a alma bondosa do frade qu’inda não sabe
Se acredita na vida ou no pão.
Pois só é feliz de verdade
Quem traz a verdade dentro do coração.

domenica, novembre 20, 2005

Impressões...


A tarde é fria, como a cidade e os amantes. Apenas resta o brado do general e do reator desconhecido que se escondia naquela praia paradisíaca. Apenas resta a eternidade volúvel do amor que nos consome. Apenas o gosto do beijo, salgado e melado antes da despedida.

Resta aquela aquarela estranha, aqueles sorrisos fartos, aquelas ardentes declarações...

Mas tudo se foi. Agora o cinza velho nos consome. O cinza nos prédios que se contrasta com o verde das vegetações. O concreto que existe só para nos entreter, pra nos fazer pousio, poesia. Pra destruir o amor, pra recriar a vida. A vida impressionante dos amantes, comemorando um novo aniversário. A vida impressionante dos que visitam as lápides dos cemitérios...

sabato, novembre 19, 2005

Aos Injustiçados Sapatos

Os sapatos se alternam enquanto a cidade dorme
Eles comandam, sujos, a melodia da madrugada
Eles são o relógio que governam o ritmo de meu tempo
Eles são, trôpegos, o som que hipnotiza o vôo do morcego
Seus rastros se apagam com o vento, são minha pista
É através de sua sombra que você me encontrará.
Eles que acordam os mendigos e as meretrizes
Eles que param o silêncio da Rodoviária: Rosa dos Ventos.
Eles que ouvem o som do violão, o acompanham...
Eles que dormem no banco sujo e desconfortável
Eles que levam meu corpo para o ônibus lotado.
Eles que observam ao leste, Hélio na Estrutural.
São eles que descansam ao pé da minha cama:
São eles que me levarão até você na segunda-feira.

Cárcere

Estava escuro e decadente em mim mesmo
É estranho ver tudo tão quadrado da janela
Mais estranho ainda é não tê-la para ver-te!
Te amo, pomba branca e livre dos telhados
É tão puro e bom saber que ainda me visitas
És o mais humano que existe em minha vida!
Amo tuas asas, formosa camomila dos jardins
Me acalmas e me sondas com teu arrulho
Me enlouqueces com tua graça ao voar
És tudo que tenho nesse cárcere moribundo!

Quem me dera que pousasses na vidraça
Te daria o melhor que há em mim, meu sentimento
Que é na certa o meu tesouro precioso!
Mas um dia, ah! Um dia! Serei livre e te terei
Terei você e também aquele sol das seis da tarde
Que colore em vários tons o cinzento do concreto
Como faz na mesma hora em minha terra
Em rosa, púrpura, rubro e cor de abóbora
Num espetáculo claro de fúria e fantasia
Que enlouquece o coração do mais impuro!

És preciosa, lua cheia que me guia ao sete ventos!
Dá-me teu mel e me faça procurá-la
Minha única desejada: Liberdade!

L’a Venturosa Jornada

O castelo guarda o ouro de rei, e as muralhas o protegem para a luta
A espada é a arma que o guerreiro utiliza para defender a honra do suserano
E o vassalo paga o tributo, alegremente porque sabe que assim que tudo é
O corvo se esconde nas colinas, ele tem medo de ser surpreendido em má posição
Mas ele acredita que um dia renascerá como pomba e será adimirado como um rei
A donzela espera a visita do amor e aprende a domar os seus instintos
O trovador toca a cítara, tristemente, uma canção desconhecida de todo o resto
O cão rói o seu osso, o boi rumina e o gato caça o passarinho

A luz escapa do raciocínio e muda de quando em quando, aleatoriamente
E dela eu vejo a fada a dançar e a dançar, um novo canto de flavor desconhecido
E ela fala coisas sobre o amanhã, que não veremos, e acredito, tenho fé
E a acompanho, a música é nosso guia, o compasso é o próprio sonho
E é tudo neblina, bebo o que ela manda e começo a enxergar de outro modo
O mundo é estranho, tem várias cores que desconheço, é cinza, é gigantesco
E voa pelo céu, e anda mais rápido que trovão, o meu cavalo, e dança ao som da harpa horizontal
É muita gente, são crianças, e não brincam, a terra é outra muita gente, muita gente
É a fada que me mostra, é a fada, ela mostra, ela me ama, tenho asas, as bato forte
Não pode ser, é tudo pó, tudo se foi, perco minhas asas, ouço gritos, são crianças
A fada? Onde está? Estou perdido, desolação, quero voltar, gemidos contidos
O homem sujo se esfrega na menina, ela não chora, ela não reage, estátua
Ela me olha, ela me vê, a única, ela me vê, as crianças são fadas sem asas
Ela sorri e diz alguma coisa, não ouço, o soco a cala, os dentes voam, dentes de leite
É minha lágrima, é muita fome, muita fome, violência, ninguém merece,
O peito da mamãe secou, o bebê chora. Fogo, fofo fogo, acalenta os corpos dos impuros
Espasmos involuntários, o cego é sábio, e me vê com o coração, porque é puro
E me dá a sua espada e seu escudo, e o cavalo, e o escudeiro e me envia
Muitos me vêem, gritam meu nome, vejo o dragão, escamas de bronze, corpo de ouro
O cavalo marcha forte ao meu comando, e o procura, o procura, é a espada
O fogo, a venta, a asa, o fogo, é meu braço que se vai, eu caio, não levanto
A pata me alcança, me esmaga, não existo, existo sim, eu vejo a fada, estou de volta
O moinho bate, vagaroso o trigo que colheremos, e minha esposa me convida pro jantar

Primeiras Impressões

Eu nunca tinha pensado em fazer um blog. Na verdade até esses dias não sabia direito nem mesmo o que era um blog. Tenho tentado dialogar com esses novos meios de comunicação e tenho tentado tirar o melhor deles. Bem, vejamos no que vai der.